Real Madrid é carrasco e professor do Liverpool na Champions League

Benzema Real Madrid Liverpool
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Nos últimos anos os merengues se tranformaram em pesadelo dos ingleses, mas também são um espelho

O Real Madrid mais uma vez levou a melhor sobre o Liverpool, em jogo de Champions League. Depois de uma épica vitória por 5 a 2 na ida das oitavas de final desta edição 2022/23, os espanhóis venceram por 1 a 0 (gol de Benzema, assistência de Vini Júnior) e avançaram para as quartas. Esta é a mais nova decepção dos ingleses frente aos merengues, após derrotas nas finais de 2018 e 2022 abraçadas a uma eliminação nas quartas em 2021. E se dizem que é possível tirar lições nas derrotas, o Real Madrid entrega aulas em dobro à equipe treinada por Jurgen Klopp.

O Liverpool vive um período transição, de remontagem da base de seu time, após os últimos anos vitoriosos. Sadio Mané já deixou o clube, rumando para o Bayern de Munique, e o próximo a sair é Roberto Firmino. A temporada atual mostra que esta fase de reconstrução não tem sido nada fácil para Klopp e seu clube.

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A equipe de Anfield Road faz uma campanha cheia de irregularidades: venceu alguns jogos por goleada, com destaque óbvio para o recente 7 a 0 sobre o arquirrival Manchester United, mas vai sofrendo um número constante de derrotas que eram impensáveis anos atrás. A mais recente delas, a da eliminação nesta Champions, foi a 13ª em 2022/23, fazendo desta temporada, que ainda tem dezenas de jogos a serem disputados, a com mais derrotas desde a chegada de Klopp ao clube.

Do outro lado, o Real Madrid também passou por uma grande transição recente. Saiu de cena a maior geração madridista desde os tempos de Di Stefano, encabeçada por Cristiano Ronaldo, e montou-se um time que unia a sabedoria de veteranos com a fome de jovens atletas. Em comum dentro desta mistura geracional, a efetividade e a manutenção dos grandes títulos. Em meio às saídas de CR7, Sergio Ramos, Gareth Bale, Marcelo e Casemiro, o Real Madrid continuou a ser campeão tanto do Campeonato Espanhol quanto da Champions League. Não é pouca coisa.

O Liverpool busca receita parecida. Aposta em alguns jovens, mas os títulos não estão vindo e hoje é nítida a dificuldade para aplicar, dento de campo, com equilíbrio, o futebol de transições alucinantes que é marca registrada dos times de Klopp. Quando o “gegenpressing” dá certo, o time goleia. Quando dá errado, a defesa se mostra vulnerável e sofre gols que não sofria tempos atrás. A disparidade nestes dois extremos é diagnóstica da falta de equilíbrio que estamos vendo.

Evidente que é importante destacar o grau de dificuldade do Campeonato Inglês, teoricamente mais equilibrado do que o certame espanhol. Não importa aqui: no final das contas, um Liverpool que sofre em meio à sua reconstrução foi, mais uma vez, superado por um Real Madrid que soube fazer essa passada de bastão como poucos. Os merengues seguem forte na busca por mais um título europeu. Os Reds agora precisam lutar por uma vaga na próxima edição da Champions League. Se o Campeonato Inglês terminasse hoje, estariam de fora.

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