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Pelé foi um privilégio para Santos, Brasil e até para quem o teve como adversário

20:14 BRT 29/12/2022
Pelé Garrincha Santos Botafogo
Em meio às homenagens ao maior da história, adversários do mundo todo, incluindo grandes rivais, exaltaram até os gols que sofreram

Antes de Pelé, o Santos tinha quatro títulos conquistados. Quando Pelé se despediu do clube da Vila Belmiro como jogador, o Alvinegro acumulava pelo menos 27 taças a mais. Antes de Pelé, a seleção brasileira não havia levantado nenhuma Copa do Mundo. Quando o camisa 10 encerrou sua história na equipe nacional, havia três estrelas sobre o escudo canarinho. O Rei conseguiu popularizar o futebol nos EUA, lotando estádios, e parou guerras na África.

Ter o maior jogador da história representando sua equipe fazia sempre a diferença, é claro, mas em meio ao falecimento de Edson Arantes do Nascimento um outro lado desta idolatria voltou a ficar evidente. E em escala global, honrando o legado de Pelé: até mesmo os clubes que enfrentaram o Santos ou a seleção brasileira dos tempos do Rei – e que portanto tiveram muitos sonhos de títulos abreviados – exaltaram o privilégio, a honra, que foi ter visto um deus do futebol passeando por momentos de sua própria história.

As reações à morte de Pelé foram das mais diversas, saindo também da esfera do futebol (até a NASA prestou sua homenagem!). Dentro do mundo da bola, as homenagens foram feitas por diversos craques e instituições. Em comum a quase todas as mensagens, o orgulho e a vontade de contar a história que estes clubes tiveram com Pelé.

Flamengo e Fluminense, por exemplo, relembraram ocasiões em que Pelé vestiu, em amistosos, as camisas rubro-negra e tricolor. O Vasco fez o mesmo, relembrando também com orgulho o fato de Edson ter sido torcedor cruz-maltino antes de virar profissional.

O Botafogo, que protagonizou contra o Santos duelos épicos nos anos de 1960, quando ambas as equipes formavam a base da seleção brasileira campeã mundial, lembrou deste histórico ao publicar uma foto do Rei do Futebol ao lado de Garrincha, além de uma entrevista concedida por Pelé em que o eterno 10 relembrava os tempos em que os alvinegros “eram os dois melhores times do Brasil".

Derrotados em finais de Libertadores por aquele histórico Santos, Peñarol e Boca Juniors prestaram suas homenagens. Benfica e Milan, vencidos pelo Peixe nos Mundiais de Clubes daqueles 1962 e 1963, respectivamente, fizeram o mesmo. Clube que mais sofreu gols de Pelé, o Corinthians publicou uma gama diferente de mensagens. Uma delas, resume o sentimento reiterado neste texto: “Foi uma honra tê-lo como adversário nos grandes clássicos de uma carreira de sucesso inquestionável que o consagrou como o melhor jogador de futebol de todos os tempos”.

O Palmeiras divulgou em seu site oficial uma matéria relembrando, com uma doce saudade e enorme reverência, a história de rivalidade com Pelé e o Santos. O São Paulo relembrou e contabilizou todos os gols feitos pelo Rei do Futebol dentro de seu estádio, o Morumbi, muitos deles contra o Tricolor.

Tais homenagens não ficaram apenas dentro das fronteiras brasileiras. A Juventus, da Itália, também relembrou histórias de Pelé contra ídolos seus, gols marcados pelo Rei contra a própria meta juventina e lamentou o fato de jamais ter tido Pelé – apesar das várias tentativas de contratá-lo. O Arsenal citou a visita de Edson ao seu antigo estádio, o Highbury, como uma “lembrança a ser sempre comemorada”. O Real Madrid dedicou o destaque de seu site oficial a uma nota de pesar, na qual celebra a história de Pelé e exalta os seus 1282 gols (marca muitas vezes ironizada, com desrespeito e desconhecimento, por muitos europeus).

Qual outro personagem seria capaz de fazer grandes rivais valorizarem, de forma institucional, os gols que sofreram? Pelé é único sob todos os aspectos.