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Final para a Argentina sacode a Copa e chega em boa hora

08:41 BRT 26/11/2022
Lionel Messi Argentina 2022
A equipe de Messi e companhia tem bola para ganhar bem de México e Polônia e renascer no Qatar

A Argentina é a primeira das grandes seleções da Copa do Mundo a entrar em campo podendo ser eliminada em caso de derrota. Logo os campeões continentais, que chegaram com a maior sequência invicta do mundo ao Qatar. Coisas dos Mundiais, que a essa altura até permite um vacilo.

Há quatro anos, na Rússia, a seleção albiceleste ainda cedeu mais, digamos que um vacilo e meio. Empatou na estreia, perdeu o segundo jogo e mesmo assim avançou, ganhando o jogo três no limite e passando com quatro pontos.

A melhor referência para o cenário atual é a Espanha de 2010, campeã do mundo depois de ser derrotada de forma surpreendente na estreia. Deu tempo de vencer os dois jogos seguintes e ainda sair em primeiro do grupo. A Argentina tem bola para ganhar bem de México e Polônia e renascer no torneio.

As notícias dão conta de quatro mudanças no time titular, principalmente na defesa. Essa é a grande repercussão de um revés de início, tentar resolver os problemas trocando peças, inevitável quando se sofre uma virada para um azarão. Uma equipe que parecia pronta, de repente, já está procurando o time de novo. Papu Gómez, praticamente de ponta-esquerda, não encontrou o jogo na terça-feira e já parecia natural que não duraria no time para o sábado. Pode jogar Enzo Fernández. O machucado Lo Celso faz muita falta no balanço do meio-campo.

Uma das perguntas mais difíceis desta primeira fase é: quantos pontos fará a Arábia Saudita? Não é nenhum absurdo imaginar que vença Polônia e México, na mesma medida que pode ainda ser lanterna da chave mesmo depois de superar Messi e companhia. Eu apostaria que fará o suficiente para se classificar.

O técnico Scaloni disse que um jogo se pode perder, o que importa é como se levanta, como se segue. A Argentina foi ao Qatar para chegar às semifinais e fazer sete jogos, mas seis minutos e dois gols sofridos deram numa decisão já no jogo dois. E é fato que a agonia de um favorito traz um tempero dos mais instigantes para a primeira fase. Agora, se as alterações elevarem o nível coletivo da Argentina, alguém vai dizer que começar caindo fez bem, escancarou as questões quando havia tempo de mudança.

O futebol tem dessas. A Inglaterra, dona da primeira grande atuação da Copa do Mundo lá no início da semana, partiu de uma goleada por 6 a 2 sobre o Irã e viu brotar um otimismo principalmente sobre os jovens jogadores, que corresponderam de cara. Com o mesmíssimo time, fez um jogo com muito menos graça e fome diante dos Estados Unidos. Uma marcação um pouco mais encaixada, agressiva, e o brilho inglês desapareceu. Alguém vai dizer que começar atropelando fez mal.

Aliás, o desespero da Argentina é a grande atração deste momento no Qatar. Nessa sexta, duas seleções favoritas a ganhar os grupos, Holanda e Inglaterra, administraram suas vantagens na tabela em empates de atuação morna, conduzindo com certo marasmo. A Albiceleste não pode se dar ao luxo.

A seleção brasileira não terá Danilo e Neymar pelo menos na fase de grupos. São os dois titulares com reposição mais difícil para Tite. Na lateral-direita jogará o atleta com menos ritmo de jogo no elenco ou o que tem como posição principal a zaga. Na vaga do camisa 10, as opções são inúmeras e bem variadas, mas ninguém com a estatura de três Copas e larga vivência de grandes jogos com a camisa amarela.

Tecnicamente, o time pode se manter no mesmo nível sem o seu mais conhecido jogador. Emocionalmente, a ausência dele pode acelerar a consolidação de novas referências, e o time não parece mais tão refém de uma grande estrela. A meu ver, a maior perda é a do protagonismo de Neymar, de um criador de jogadas que, esteja bem ou mal na partida, passa os 90 minutos procurando a bola. Não é dependência, mas é uma característica de onipresença e de confiança que pode fazer falta num momento de adversidade mesmo sem estar numa jornada brilhante – a naturalidade com que entra na área no gol que abriu o placar contra a Sérvia exemplifica isso.

Acho que Daniel Alves precisa jogar. É melhor colocá-lo na primeira fase e aproveitar esse tempo de confiança do time do que precisar numa emergência lá na frente, ainda mais se Danilo não se recuperar em tempo. Fosse o mata-mata, seria mais prudente um volante na vaga de Neymar, com Paquetá dando um passo à frente, mas acho que o momento permite oferecer a Rodrygo a posição de titular e manter o ataque mais povoado.

A grande notícia para Tite é que o Brasil perdeu dois fundamentais no primeiro jogo da Copa do Mundo e não há qualquer sinal de desespero por conta disso. Talvez a devida importância ainda não foi dada, fruto da boa imagem coletiva deixada na estreia e a informação inicial de que devem retornar para a segunda fase. Se os reservas brilharem, alguém vai dizer que o time joga melhor sem Neymar. É um debate inerente à carreira dele na seleção, e já não parece mais possível que o principal nome da geração deixe para trás tamanho nível de controvérsia. É um craque sem a unanimidade dos craques históricos brasileiros, fazer o quê? Seria um peso grande para sua carreira não conseguir jogar esse Mundial, possivelmente seu último em grande forma e motivação para tal.