Valentin Carboni: o 'novo Dybala' da Argentina, que recusou Liverpool e Juventus antes de ir para a Inter

Valentin Carboni NXGN GFX
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O atacante de 17 anos já jogou na Série A e na Liga dos Campeões, além de ter treinado com a seleção principal da Argentina.

Lionel Messi está à beira da imortalidade. O sete vezes vencedor da Bola de Ouro está a 90 minutos de finalmente conquistar a Copa do Mundo, um troféu que deve confirmar seu status como o maior jogador de futebol (para a maioria das pessoas, de qualquer forma). É claro que a missão não é fácil, e não há certeza de que os argentinos vão levantar o maior prêmio do futebol mundial no domingo (18), dada a força da equipe da França que sua seleção argentina enfrentará.

O que sabemos com certeza, no entanto, é que a final será a última participação de Messi em uma Copa do Mundo, uma vez que o atacante do Paris Saint-Germain já confirmou que não vai jogar na edição de 2026, quando já estará com 39 anos. É natural, então, que já se pense no futuro da seleção argentina sem seu principal jogador.

Uma nova geração, porém, já está começando a surgir, e um daqueles em que se deposita esperança é Valentin Carboni, que já teve o gosto de treinar ao lado de Messi na seleção. Atualmente revezando entre a equipe principal da Inter de Milão e a juvenil, Carboni tem sido tratado como um potencial talento, e a expectativa é que ele seja um dos nomes na lista da Argentina para a Copa do Mundo de 2026.

Mas o que torna o jogador de 17 anos tão especial? O NXGN vai te explicar...

  1. Onde tudo começou

    Filho de um jogador de futebol - o ex-meio-campista do Red Bull Salzburg e do Catania, Ezequiel 'Kely' Carboni - Valentin foi matriculado nas categorias de base de outro clube pelo qual seu pai passou, o Lanús, ainda muito jovem.

    O irmão mais velho, Franco, que se juntou a ele, contou ao NXGN sobre como eles chegaram no Lanús. "Meu irmão e eu costumávamos acompanhar meu pai, que jogava lá. Nós chutávamos a bola nas arquibancadas do estádio quando éramos crianças, e depois entramos na academia".

    "Quando éramos crianças, nós 'matávamos' uns aos outros na sala de estar, um a um, para ver quem ganhava! E era sempre eu, mas só porque era mais velho".

    Valentin passou seis anos na academia Lanús, na qual entrou em 2019, aos 14 anos de idade, e depois ele e sua família deixaram a Argentina para morar na Itália quando seu pai aceitou um trabalho como treinador no Catania.

    Mas antes disso, ele teve a chance de conhecer Lionel Messi…

  2. A grande chance
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    A grande chance

    A grande oportunidade de Valentin e Franco veio quando ambos foram matriculados na academia Catania, após a mudança para a Itália. E não demorou muito para que o primeiro chamasse a atenção tanto dos treinadores quanto dos olheiros.

    Mario Marino, ex-olheiro chefe do Catania, contou ao NXGN que se lembra de acompanhar Carboni ao Coverciano Christmas Tournament, uma competição anual que coloca os melhores jogadores sub-15 do país se enfrentando: "Na chuva forte, ele realmente deu um show".

    Logo, os dois irmãos Carboni foram procurados por clubes de toda a Europa, que demonstraram interesse em suas contratações. "O Liverpool já estava seguindo o Valentin quando ele estava na Argentina e tentaram contratá-lo", diz Marino. "Eles ofereceram muito dinheiro para tê-lo"

    "A família também rejeitou a Juventus, que queria tanto Valentin quanto Franco, e em vez disso aceitou a oferta da Inter", disse. "Foram muitas ofertas e nós queríamos vender os dois como um par. A presença de muitos argentinos na Inter influenciou a decisão, que tomada por toda a família".

    A Inter pagou um total de 300.000 euros para levar os meninos Carboni para Milão, e Valentin foi escalando nas categorias de base desde que chegou no time.

  3. Como está indo

    Carboni fez sua estreia na equipe sub-16 da Inter em uma vitória por 4 a 0 sobre o Verona, em outubro de 2020, antes de jogar novamente na semana seguinte no clássico contra o Milan.

    Foi somente na temporada seguinte que ele começou a subir nas categorias de base, no entanto, quando iniciou a campanha na categoria sub-17 antes de ser promovido para o sub-18 e depois para a equipe Primavera (sub-19), pela qual conquistou um título nacional.

    Carboni foi eleito o "Revelação do Ano" da liga pelo canal de televisão SportItalia, e sua boa fase foi recompensada com uma convocação para a seleção principal da Argentina em março de 2022.

    Embora ele tenha 11 partidas pela seleção sub-17 italiana, a chance de jogar por seu país natal e treinar ao lado de jogadores como Lionel Messi era uma oportunidade muito boa para recusar, e ele se juntou a uma série de outros jovens de dupla nacionalidade, incluindo seu irmão Franco e o atacante Alejandro Garnacho, do Manchester United, na equipe.

    Ele estreou na seleção argentina sub-20 e agora é um membro da equipe principal da Inter, mesmo que ele desça para a equipe Primavera para garantir que ele ainda tenha minutos de jogo pelo time.

    Carboni fez sua estreia na Série A em outubro, quando saiu do banco contra a Roma, e fez sua estreia na Liga dos Campeões um mês depois, quando foi tirado do banco contra o Bayern de Munique na Allianz Arena.

  4. Pontos fortes
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    Pontos fortes

    Um camisa 10 canhoto, Carboni possui um excelente controle, o que o permite atuar entre as linhas e lidar com a pressão dos defensores adversários com relativa facilidade. Além disso, tem um excelente chute e sua visão de passe é excepcional, podendo jogar buscando bolas em movimento e criando oportunidades de gol para seus companheiros de equipe.

    Ele também demonstrou habilidade para enfrentar defensores em situações de um contra um, seja jogando em sua posição central ou no lado direito, onde ele pode ser uma verdadeira ameaça ao gol quando corta por dentro.

  5. Espaço para melhora

    Carboni pode às vezes se limitar a usar apenas o seu pé esquerdo, relutando em aproveitar o direito, e isso acaba fazendo com que defensores mais experientes conseguissem neutralizá-lo mais facilmente.

    Como a maioria dos jogadores de sua idade, ele provavelmente precisará melhorar fisicamente também, embora possua um ritmo decente, mesmo que esteja longe de ser seu principal atributo.

    Há também quem diga que ele precisa marcar mais, mas dado que ele está jogando em categorias acima de sua idade, pode-se esperar que esses números subam nos próximos anos.

  6. O próximo... Paulo Dybala?
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    O próximo... Paulo Dybala?

    Enquanto a Argentina está em busca de jogadores para as funções de Messi, talvez a melhor comparação para Carboni seja um dos pequenos companheiros de seleção do camisa 10.

    "Ele me lembrou Dybala, e um pouco de Messi, com sua paixão por assistências", explicou Marino. "Ele nunca finaliza no gol e eu sempre questionava isso, mesmo nos relatórios que eu fazia sobre ele".

    "Ele preferiu passar a bola com uma jogada deliciosa em vez de chutar no gol. Mas todos estávamos convencidos: 'Ele vai jogar na Série A'", continuou.

    A comparação com Dybala faz sentido. Eles jogam na mesma posição, têm o mesmo tipo físico e talvez não finalizam tanto quanto seus talentos sugere que deveriam.

    Certamente, se Carboni conseguir alcançar o mesmo nível da estrela Roma, então ele será um membro da seleção argentina por um longo tempo.

  7. O que vem agora?

    Carboni está perto dos compatriotas Lautaro Martinez e Joaquin Correa na Inter, e a esperança é que ele seja capaz de aprender com eles e ganhar mais minutos de primeira equipe durante a segunda metade da temporada.

    Os Nerazzurri têm vários atacantes, como Romelu Lukaku e Edin Dzeko, que também estão à disposição de Simone Inzaghi, mas o talento de Carboni pode significar que ele terá a chance de provar a si mesmo nos próximos meses.

    Ele está sob contrato em San Siro por mais três temporadas, e embora existam boatos de que ele poderia ser vendido a Brighton como um parte do pagamento para que seu colega argentino Alexis Mac Allister fizesse o caminho inverso, mas há muita gente em Milão que quer vê-lo ter sucesso para a Inter primeiro.

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